REPRESENTAÇÕES DO GÊNERO FEMININO NOS FILMES MAIS VISTOS NOS CINEMAS BRASILEIROS EM 2015: QUANDO A REPRESENTATIVIDADE PODE LEVAR AO EMPODERAMENTO

Carla Silva Machado, Mirna Juliana Santos Fonseca

Resumo


O artigo discute, sob a perspectiva dos estudos de gênero, a representação das personagens femininas nos filmes mais vistos pelo público brasileiro. Dos 20 filmes mais vistos nas salas de cinema do Brasil em 2015, foram selecionados aqueles cujas protagonistas são mulheres: Cinquenta tons de Cinza, Cinderela e Loucas pra casar. Após uma análise sobre a pouca representatividade feminina nos filmes com maior bilheteria, reflete-se sobre o espaço destinado às personagens femininas no cinema, a temática desses filmes, e discute-se de que maneira a mulher está sendo representada nas poucas vezes que aparece como protagonista, embasando-se, para tanto, em um levantamento e análise das falas de 2 mil roteiros de filmes norte-americanos. Como referencial teórico, optou-se pelos estudos de Guacira Lopes Louro para discutir as questões de gênero e cinema, e de Elizabeth Ellsworth para tratar de cinema e endereçamento. Como metodologia de análise dos filmes, o estudo descreve as atitudes das personagens principais, observando seus comportamentos e escolhas, com base naquilo que representam enquanto protagonistas dos filmes, além de aspectos qualitativos de suas falas, tendo por base o Teste Bechdel. Como resultados das análises, aponta-se a limitação deste teste, destacando que a mulher continua sendo apresentada nos filmes como: submissa e interessada em fazer um casamento vantajoso.


Palavras-chave


Representação de gênero. Desigualdade. Cinema

Texto completo:

PDF

Referências


ANDERSON, Hanah; DANIELS, Matt. Film dialogue: from 2.000 screenplays, broken down by gender and age. Polygraph [on-line], apr. 2016. Disponível em: http://polygraph.cool/films/. Acesso em: 20 set. 2016.

AGÊNCIA NACIONAL DE CINEMA (Ancine). Informe Preliminar de Distribuição, Exibição e Lançamentos: informe anual preliminar 2015. Brasília, DF, 2016. Disponível em: http://oca.ancine.gov.br/distribuicaosalas.htm. Acesso em: 20 fev. 2016.

ELLSWORTH, Elizabeth. Modos de endereçamento: uma coisa de cinema – uma coisa de educação também. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Nunca fomos humanos: nos rastros do sujeito. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. p. 7-76.

LOURO, Guacira Lopes. O cinema como pedagogia. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VEIGA, Cynthia Greive (Org.). 500 anos de educação no Brasil. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 423-446.

LOURO, Guacira Lopes. Cinema e sexualidade. Educação e Realidade. Porto Alegre, v. 33, n. 1, p. 81-97, jan./jun. 2008.

LOURO, Guacira Lopes. Destemidos, bravos, solitários: a masculinidade na versão western. Bagoas, n. 10, 2013, p. 171-182. Disponível em: http://periodicos.ufrn.br/bagoas/article/download/5382/4397. Acesso em: 14 out. 2015.

MAGALDI, Carolina Alves; MACHADO, Carla Silva. Os testes que tratam da representatividade de gênero no cinema e na literatura: uma proposta didática para pensar o feminino nas narrativas. Textura, v. 18, n. 36, p. 250-264, jan./abr. 2016.

SILVA, Tomaz Tadeu. A poética e a política do currículo com representação. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED. 21, 1998, Caxambu-MG. Anais... Anped: Caxambu-MG, 1998.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 REVISTA COMMUNITAS

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

     Licença Creative Commons Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional

REVISTA COMMUNITAS - ISSN: 2526-5970 - Publicação Semestral do Grupo de Pesquisas em Memórias, Identidades, Currículos e Culturas vinculado ao Centro de Educação e Letras da Universidade Federal do Acre.